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| Projetos têm forte apelo comercial - Gazeta Mercantil O retorno em vendas leva construtoras como a Brascan a investirem até R$ 1,6 milhão no segmento. Gazebo gourmet, sauna seca, quadra de tênis de saibro. Estes são apenas alguns dos itens de lazer que passaram a constar nos projetos residenciais das construtoras do eixo Rio-São Paulo. O fato é que as incorporadoras estão incrementando os empreendimentos imobiliários com investimentos mais significativos em paisagismo. E, ao contrário do que se pensava, o segmento não envolve apenas a vegetação, mas toda a área externa do edifício. Para Benedito Abbud, um dos nomes mais conhecidos da área, não se trata apenas de uma forma de atrair compradores, mas também de aproveitar melhor o orçamento. 'O custo para urbanizar a laje é praticamente o custo de fazê-la sem produtos de lazer. Construir uma piscina, por exemplo, tem custo irrisório comparado a simplesmente colocar um piso diferente no jardim', diz. 'O mercado imobiliário está valorizando os projetos de paisagismo pois são itens com grande apelo comercial e reflexo nas vendas', reforça o paisagista Gilberto Elkis. 'O que vende hoje é qualidade de vida. Por isso os projetos devem incluir itens que remetem à saúde, lazer, segurança e privacidade', completa. Augusto Ezagui, superintendente de Incorporações da Brascan no Rio de Janeiro, concorda. 'Um belo jardim e boas opções de lazer agregam qualidade de vida aos usuários', diz. A construtora vem investindo em paisagismo nos seus empreendimentos há cerca de seis anos. Conforme Ezagui, a Brascan investe de R$ 700 mil a R$ 1,5 milhão no segmento, tanto para empreendimentos comerciais quanto residenciais. 'O valor é diretamente proporcional ao tamanho do terreno', afirma. Para o recém-lançado Santa Mônica Jardins, na capital fluminense, foram investidos R$ 1,6 milhão somente em paisagismo. No condomínio Water Way, na Barra da Tijuca, que tem área total de 50 mil m, foram aplicados R$ 1,44 milhão na execução do projeto paisagístico de Benedito Abbud. 'Exploramos o máximo possível a utilização das áreas comuns com belos projetos'. Essa valorização das áreas externas tem resultado em uma mudança de preferências dos compradores. 'No Rio de Janeiro são mais procurados os imóveis com vista para a rua, em que bate o sol da manhã. Mas agora as pessoas preferem apartamentos voltados para dentro do condomínio, com vista para os espaços de lazer', comenta Ezagui. Esses produtos não são cobrados à parte do comprador do apartamento, mas compõem o valor total da obra. 'O que é repassado ao morador são custos de manutenção e os móveis de decoração dos ambientes', garante Abbud. Tais ambientes são valorizados de acordo com a região do País - o que é valor em Curitiba não é em Manaus. 'Em Brasília e Minas Gerais, é muito comum imóveis residenciais com quadra de peteca. Em São Paulo, já estranhariam um projeto assim', diz Abbud. 'Em Porto Alegre, há o chamado galpão crioulo, que é um espaço fechado com churrasqueira. Trouxemos a idéia para São Paulo, com o nome de gazebo gourmet e um toque mais sofisticado'. A opção do espaço gourmet foi uma solução para os edifícios com apartamentos pequenos. Como os moradores não têm muito espaço dentro de casa para receber os amigos, utilizam as áreas do prédio. Além disso, os projetos foram incrementados com praças para as babás passearem com as crianças, pontos de lazer para idosos e espaços próprios para adolescentes. 'Dentro do universo infantil, também trabalhamos as diferentes faixas etárias. As crianças de 7 anos querem brincadeiras com mais emoção do que as de 4 anos', comenta. 'Já os adolescentes utilizam à noite o que os avós usam pela manhã. A praça do sol se transforma em praça da fogueira'. No escritório Gilberto Elkis Paisagismo, a principal solicitação nos projetos residenciais são as piscinas cobertas e com raia; já nos comerciais, destaca-se a área externa para fumantes. Benedito Abbud destaca que os projetos imobiliários acompanham as modificações de costumes e de tendências da sociedade local. 'O número de descasados aumentou, o que demandou mais apartamentos menores para adultos solteiros com opções de lazer relacionadas à gastronomia e à beleza, como academias bem equipadas e até espaços para atendimentos de estética no condomínio, além do playground para receber o filho no final de semana', exemplifica o paisagista. A tendência de condomínios-clube, com áreas maiores de lazer, também reforçou a necessidade de 'humanizar' os ambientes comuns. Para o projeto do Resort Tamboré, da MPD Engenharia e KC Imobiliária, em São Paulo, a empresa de Abbud criou praças temáticas, diferenciadas por flores e aromas. Para o paisagista, esses projetos são mais eficientes e baratos para os moradores. Elkis aponta que até a estratégia comercial das construtoras foi modificada. 'Na década de 80, o comercial de um apartamento era sobre o número de quartos e formato dos ambientes. Hoje ainda se fala em área útil mas o destaque é são os serviços de lazer', afirma ele. 'São detalhes para contemplação, relaxamento e convívio familiar'. Orçamento O orçamento de paisagismo varia de R$ 30 a R$ 120 por metro quadrado, segundo Benedito Abbud. 'Quanto maior o jardim, mais barato fica. O metro quadrado gramado, por exemplo, custa entre R$ 4 e R$ 6, mas não posso utilizar grama em um pequeno canteiro, que pede vegetação vertical'. O gasto também aumenta de acordo com a variedade de plantas. Ele explica que o projeto de paisagismo para imóveis comerciais é geralmente mais caro que projetos residenciais. Isto porque os comerciais tem um aspecto de imediatismo em relação à vegetação. 'No residencial, você pode plantar sementes no jardim e deixá-las crescer. No comercial, o jardim tem que estar pronto com o prédio, por isso utilizamos elementos mais exuberantes, como uma cascata de água', compara. Origem Benedito aponta que as áreas de lazer nos prédios surgiram com a insegurança das cidades. 'Os térreos dos prédios passaram a ter uma importância diferente. Antes, crianças e adolescentes usavam a rua como quintal, mas as mães não tinham mais conforto em deixá-las fora do ambiente de casa, principalmente porque ela partiram para o mercado de trabalho e não poderiam estar presente todo o tempo'. Em meados dos anos 80, os projetos passaram a incluir guaritas nas portarias e na década seguinte todos já eram cercados. Essas alterações demandaram uma maior variedade de produtos de lazer nos edifícios. Abbud comenta que a construtora Encol se destacou nos projetos de paisagismo no País - 'não por aspectos técnicos, mas porque foi a primeira a fazer um estudo sobre custo/benefício da exploração dos espaços externos do condomínio'. Entre os trabalhos recentes da Benedito Abbud Paisagismo estão o Gran Parc Vila Nova (Esser e REM Construtora) e Humanari (Cyrela). Já os projetos The Place (Tricure), São Paulo Fashion Hall (Gafisa) e Hotel Unique são alguns dos trabalhos da Gilberto Elkis Paisagismo. |
| Criado em 12/01/2006. << Voltar Esta é uma versão otimizada para celulares. Acesse o site completo aqui |
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